domingo, 25 de outubro de 2009

Devaneio

Procurou fugir dos próprios desejos pelas mentiras que lhe contavam, mal sabia ela que as mesmas mentiras que a afastaram da liberdade, lhe dariam asas para voar. Deixava pra trás, todos os medos, e adquiria toda a felicidade que por causa deles, não teve antes. Não cabem enganos. Não precisam de planos. Juntos eles são. E assim será enquanto houver o sossego...

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Um pouquinho de blablablá

Não havia planos. Havia fatos. Eram incógnitos, mas eram fatos. Ninguém poderia acreditar, mas todos queriam saber a verdade. A verdade que não sabiam contar e que nenhuma pessoa no mundo seria digna de tirar delas. E mais uma vez ela se atira, se entrega. Sabendo que hora ou outra vai se machucar, vai se perder. Mas não se importaria, já havia decidido tirar da mochila todo o peso do medo. Já sabia em quem encontrar sua força, pois nunca teve na vida o que tem em você. Ninguém tirou o seu foco, como acontece quando você não está por perto. Você lavou as imundícies do seu mundo com a sua paciência, esperando que ela te entendesse, que ela respirasse aliviada e vivesse em paz. Mas vez ou outra, reaparece uma mancha, ela se desespera procurando em você esperança. Seu olhar e suas piscadas dão a ela acalanto, esse que ela precisa. E quando ela se lembra que por mais que não queiram, terão que se afastar, você a abraça com força e pede a ela que não chore, escondendo suas próprias lágrimas, tentando não demonstrar suas fraquezas. Diz a ela que vai ficar tudo bem, que vocês nunca irão se afastar, mesmo sabendo que tudo é incerto demais e que pra vocês é pior. E será mais duro ainda quando não estiverem mais caminhando lado a lado, segurando-se quando cair for inevitável. Você se perde nos olhos dela, não é? Ela te seduz, te leva a lugares inimagináveis sem ao menos sair do lugar, te prende, pois com ela você sabe que pode ser o que quiser, sem receio. Ela te mostra o seu poder e simplesmente preenche todo o seu vazio, completando o que cabe a ela completar. Ela te enlouquece te apresentando a cada instante uma pessoa nova e a cada pessoa uma atitude que te consome, e dessas, cada pessoa que você conhece, se apaixona um pouco mais. Ela te domina e se faz poesia e você, com toda a sua prosa, a envolve nos seus braços e a mostra que ao seu lado, ela não poderá mais sentir medo, terá que enfrentar o que vier. E te amar. Pois nada será tão puro, verdadeiro e intenso.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

3ª pessoa do plural

Nada tinha sito tão intenso. E ela desejava que fosse diferente de tudo, apesar dos clichês. Talvez seja uma boa idéia acreditar nesse. Só mais nesse. Se não der certo, ela decidiu que não vai acreditar mais. Pronto. Sem dor, sem lágrimas. Dessa vez ela disse que não vai borrar o lápis, o rímel. Nada. Não vai precisar. Ela acha. Ah, medo todo mundo tem. Medo de morrer, de avião, de barata, de amar... e o dela era exatamente esse: amar. Mas ele disse que era dela. Então, tudo bem. Coragem, menina. Coragem. Ele nem vai tão longe assim. Olha, ele já tá voltando. Bom garoto... agora senta e escuta. Ela te ama. Ama. É pouco tempo. Ela sabe. Você sabe. Mas ela diz que 'tempos' grande ou pequeno, nunca mandaram no que ela sente. Ela disse pra você voltar logo. Ela tá com saudades. Quando ela fala de você, ela muda o tom de voz. Todo mundo percebeu. O olhar muda. A expressão muda quando o telefone toca e ela sabe que é você. Ela sabe que é você que ela quer. O coração avisou. Ela disse que te espera se você não demorar. Ela não quer que você desapareça e não mande mais notícias. Ela sabe que você [não] pode fazer isso. Ela tá com medo. Pediu pra você ficar com ela, pediu pra você não ir. Sabe que você tem, mas não quer que você vá. Ok. Ela já disse que espera. Ela gosta de você, não gosta? Ela tá agradecendo. Você que ensinou a fumar. [ Ela é brinks] Quando te viu pela primeira vez, sentiu algo diferente. Ela não sabia o que era, pensou muito em você e essa coisa toda. Mas agora ela sabe, hein. Você mostrou. Ela disse que vai ser difícil (lê-se: impossível) esquecer se acabar. Ela disse que não vai deixar acabar. Disse que sabe que você vai ajudar e tudo isso é recíproco e blá blá blá. Tava com medo de te dizer essas coisas. Mas sabe, ela vê segurança em você. Disse que te olhar é sempre acalanto. Que nunca soube o que queria de verdade e tá feliz em saber agora. Que não vai deixar nada atrapalhar. Disse que quer que vocês descubram juntos que o amor existe. Quer desvendar o que há realmente em cada um. Que o mundo que era só dela, agora é de vocês. E, garoto, perceba a grandeza da entrega e entregue-se também. Ela não vai te machucar. Ela só quer o seu bem, se você quiser. Vai te guiar pelo labirinto que ela tem dentro de si. Vai te ajudar, vai precisar da sua ajuda. Vai te mostrar nas pequenas coisas o quanto gosta de você. Vai sofrer quando quiser você perto e não estiver. Mas vai aguentar firme, afinal, ela não é de plástico. O que ela sente não é de brinquedo. Ela quer que você se cuide enquanto ela estiver longe. Porque ela quer você inteiro também. Espera profundamente que você tenha entendido a necessidade dela. E que vocês estejam juntos. No lugar que for. Mas juntos. E eternos.

sábado, 17 de janeiro de 2009

Verdades que o menino ignora

Eu queria poder escrever um texto que me mostrasse por inteiro. Com todas as partes, as mais prováveis, as mais inúteis, as mais sabororas e as mais misteriosas. Queria te deixar por dentro de mim com meia dúzia de palavras, que não deixassem mais dúvidas do quanto eu quero você por perto explorando cada centímetro que eu escondo por baixo de tanta verdade. Verdades que você não acredita. Mas você só erra, menino. Você erra. E a cada erro, eu dou um passo pra trás. E eu já estou tão longe de você, que eu não consigo mais ver esses seus olhos verdes que de tantas mentiras, estão escurecendo. Te esqueço, te vejo e me lembro de tudo. Mas eu sei, menino, eu sei que pra você não tem romance. Eu sempre soube, não sei porque ainda insisto. Aliás, eu sei. Sou viciada nele, lembra? Você não me satisfaz por inteiro, você não me completa. E é por isso que eu te amo, porque na tentativa de encontrar em você tudo que me lota por dentro, eu acabo tropeçando e caindo no abismo que você tem. Você tem um vazio tão grande, mas tão grande, que eu me perco, como num labirinto. E fico rodando dentro de você até achar a saída, e quando encontro, eu me perco de novo nesse teu abraço seco que me molha. Você tem um jeito fútil de falar 'eu te amo', um jeito vazio de dizer 'eu não quero te amar, mas te amo'. Gosto disso. Gosto não gostando. Gosto porque preciso gostar. Seu sorriso me enlouquece, e ele não é daqueles sorrisos bonitos, que fazem meio mundo sorrir de volta. Ele é triste. Você é triste, menino. Mas você nem liga pra sua tristeza. E aí está mais um dos motivos pelos quais eu te amo. A vida sem amor é triste, mais triste ainda é a vida com ele. Mas sofrer por amor é tão bom que eu te amo só pra sofrer. E eu não poderia escolher alguém melhor para alimentar esse meu vício em sofrer. É, você virou vício, menino. E quando eu penso que você virou as costas e foi embora, você volta com aquela cara de quem nunca vai amar ninguém, só pra me enlouquecer. Como se eu já não estivesse louca demais. Continua errando, continua me enlouquecendo, continua mentindo pra mim. A sua beleza está nisso. O meu amor é pelo seus erros. Meu amor é pelo ódio que eu sinto de você não me amar nem um pouco. E por isso eu te peço que não deixe nunca de me fazer infeliz. Te amo. Tchau.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Menino, menino

Ah, menino. Você não sabe como mexe comigo... como arrepia cada milímetro do meu corpo só de me olhar com essa cara de quem nunca vai amar ninguém. O meu erro talvez tenha sido não saber enfrentar as dificuldades. Mas tudo veio como uma avalanche, menino. Tudo veio de forma a me derrubar, me empurrar pro chão. Nada teve piedade de mim. Em dois meses, menino, tudo me deixava feliz. Até suas mentiras, você mente como ninguém, menino. Você me faz rir como ninguém. E imita minha risada escandalosa como ninguém. Você foi o único que teve coragem de pedir pra conhecer os meus mistérios. E como sempre, não conheceu. E talvez nunca mais conheça, talvez nunca mais veja as pintinhas espalhadas pelo corpo. Sabe, menino, de todos, você foi o que mais mentiu, e foi no que eu mais acreditei. Você não ama, menino. Você faz sexo e pronto. Mas você faz com tanto amor, que eu acredito. Você olha nos olhos e diz frases-feitas. Tudo que não podia dizer, você diz. E o pior: você deixa meu coração ouvir. Você diz que sou eu que minto, sou eu que te engano e eu acabo concordando com você, mesmo sabendo que faz isso só pra tirar de você a culpa. Menino, menino. Como eu faço agora com esse amorzinho que você colocou aqui? Não pode, menino. Ninguém nunca disse isso a você? Aprende, agora, vai.
Aprende que ser tão perfeito, fazer todas as vontades e elogiar demais, nos leva à loucura. Ou melhor, não aprende não, menino. Fica só comigo, vai. Faça só a mim de louca, minta só pra mim, olha só pra mim com aquela cara, coloca só a nossa música pra repetir enquanto a gente finge que se ama. Finge só pra mim. Nem se a gente quisesse, né menino? O mundo é contra nós. Mas eu te amo, hein. Se cuida, por favor.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Ele era

Não sinto mais o coração bater forte e o chão já não se abre quando ele aparece. Meus olhos não se enchem de lágrimas e a minha alma já não o pede mais próximo. Meus olhos só o acompanham enquanto ele se vai, eles não exigem os dele olhando-os por dentro, me consumindo. Meu sorriso já não se abre, automaticamente, quando os dentes dele, num movimento falso, ficam a mostra. Minha boca não fala mais 'te amo' com a intensidade que dizia quando era verdadeiro. Meu corpo mente de forma categórica procurando o dele, mas é só desejo, é só carência. Carência, porque eu sou mulher. Desejo porque eu sou mulher. Ele não foi o meu amorzinho de filme americano, com seus milhares de defeitos perfeitos. Não foi eterno. E olha que eu pensei que seria. Por muito tempo, meu coração pediu que o dele estivesse sempre por perto, mas agora, ele o expulsa da forma mais truculenta que pode. E ele vai onde quer, me leva onde quer. Até que, bobo, se apaixone de novo.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

O fim que pareceu começo

A minha risada deu fim a ligação. Eu queria que aquele amor fosse eterno como nenhum outro havia sido, se eu fosse mais romântica, claro. Mas seu amor me deixou seca. Seu amor me deixou sem amor. Amor aos outros. Ele veio apagando todos os romances perfeitos que eu não tive, porque romances perfeitos não existem. Alguém fantasiava e eu juro, juro que não era eu. E eu tive insônias sim, noites inteiras de ódio, ou escrevendo alguma merda naquele caderninho ridículo que eu jurava que nos aproximava. E a minha dor não era te perder, era perder o que eu sentia por você. Eu achava que era lindo, eu acreditava na falsa verdade. Eu via amor em você, acredita? Mas eu não vejo mais nada. Eu nem lembro das vezes que eu, com uma puta ressaca, andava, andava, andava só pra ver o pôr-do-sol do seu lado. Eu nem lembro das letras que você tocou pra mim. Eu nem lembro que 'garotos não resistem aos meus mistérios...' Eu nem lembro do quanto era bom sentir o suor escorrendo em mim. Eu nem lembro das estrelas que víamos e dos vinhos que bebíamos enquanto o céu brilhava sobre os nossos corpos. Eu nem lembro da ansiedade que eu te esperava às sextas-feiras para, mais uma vez, vivermos nosso romance monótono cheio de brigas e defeitos. Eu nem lembro que seu sorriso me fazia sorrir de volta. Eu nem me lembro o quanto a minha boca está acostumada com o seu beijo e o quanto ela não consegue beijar outras. Eu nem lembro que tem um pouco de você em cada coisa que eu faço... Agora eu vivo cada dia uma vida nova. Com as pessoas que a cada dia se transformam, as pessoas que me amam como você deveria ter me amado. Eu sei quando acaba, e dessa vez, finalmente acabou. Eu não preciso mais esconder o amor que eu senti por você e nem os ciúmes... E sabe, hoje de manhã, eu abri um sorriso, eu abri o coração e ele te tirou daqui. Como já deveria ter feito há muito tempo.